Jornadas Mundiais da Juventude – Madrid Deus deu-me a graça enorme de viver este acontecimento maravilhoso e marcante na minha vida. Eu não podia ser indiferente e egoísta em não vos transmitir o que se passou nesta experiência gloriosa.Deus começou logo a pôr-me à prova quando me disse que já não tinha lugar para ir no grupo da minha diocese. Desanimei um pouco e pensei em não ir, mas Deus é maravilhoso e com alguns contactos consegui lugar com a diocese de Lisboa mais propriamente com a paróquia de Nova Oeiras num grupo de cerca de 100 pessoas. Mas depois surgiram as ideias de não conhecer ninguém, de ser de outra diocese, etc… mas fui. E o facto de ser com outras pessoas impulsionou novas amizades, conhecer novas mentalidades, novos testemunhos de vida, de certa forma conhecer outra forma de estar perante Deus. O grupo era super animado, divertido e vivia-se para Cristo e com Cristo e podia testemunhar-se e ver muito presente a alegria de ser cristão. Para irmos de corações abertos esta peregrinação começou com uma celebração penitencial, onde larguei os meus pecados e fui em paz para viver ao máximo esta peregrinação e não me culpabilizar. Partimos para esta aventura e a primeira paragem foi em Torres Novas. Caminhamos até a uma praça e ao longo da caminhada íamos cantando alegres em nome de Jesus rezámos laudes nessa praça. As Laudes na rua são uma forma de mostrar que ali está presente Jesus Cristo. Rezar faz parte da vida dos Cristãos e somos felizes por isso e com isso. Depois das laudes cantámos e dançámos sempre de uma forma litúrgica. Nesta missão na rua, alguns dos jovens falavam ao megafone testemunhando Jesus com acontecimentos que ocorreram nas suas vidas. Isto sucedeu todas as manhas por todas as terras por onde passámos. À tarde fomos para Castelo Branco onde tivemos novamente missão mas rezámos terço numa praça cheia de gente. Tivemos Eucaristia, algo que não faltou em nenhum dia da peregrinação. Pernoitámos em Castelo Branco num pavilhão em sacos de cama. Foi boa esta experiencia. Tivemos um tempinho para jogar às cartas e juntámos um grupo e rezámos completas. O mesmo programa sucedeu-se no Fundão e em Placência, Espanha, um locar bonito onde podemos tomar banho numa praia Fluvial pois o calor era muito. Mais tarde participamos na Eucaristia e quando saímos fomos para uma praça cantar e dançar como habitualmente e passado alguns minutos apareceu um grupo enorme de Japoneses que se juntaram a nós. Adorei este momento comprovei que Jesus Cristo não tem barreiras, é universal. Depois os irmãos espanhóis prepararam um ágape enorme para nós e para os japoneses. Só para terem uma noção, enchemos uma praça de aproximadamente 400 metros quadrados, pois o ágape foi na rua porque não cabíamos numa sala. E inicialmente éramos para fazer a eucaristia com os Japoneses mas não foi possível porque não cabíamos todos dentro da igreja. Já era noite e fomos dormir num centro paroquial em sacos de cama. No dia seguinte partimos para Ávila, local lindo, pelo caminho paramos para rezar laudes no cimo da serra à entrada de província de Ávila (Castilla y Leon) foi magnífico no meio da natureza louvar a Deus. Chegamos a Ávila, fizemos missão, almoçámos e partimos para Segóvia onde podemos recarregar as baterias num hotel óptimo, (já tinha saudades de uma cama). Tivemos Eucaristia numa das salas do Hotel e quando terminámos tínhamos já outro grupo (francês) para celebrar Eucaristia. No dia seguinte visitamos Segóvia, fizemos Missão. Segóvia é lindo monumental, rica em história e tradição. Rezamos Laudes num local cheio de pessoas e de grupos que também caminhavam para o encontro com o papa. Aproximava-se o momento esperado: o encontro com o Santo Padre. Saímos de Segóvia e fomos para o esperado recinto “Quatro Ventos”. Quando chegamos era um mar de gente. Para terem uma noção, o autocarro parou na auto estrada para nós sairmos porque ele não conseguia chegar mais perto do recinto. Esperou-nos uma longa caminhada mas valeu a pena. Chegamos ao local, depois de termos passado nos detectores de metais fomos para o local que nos tinha sido estipulado mas nosso espanto já não havia lugar. Foi-nos atribuído outro local e com alguma agilidade conseguimos sitio para os nossos sacos de cama, esteiras e mochilas. O calor era abrasador, mais de 40 graus. Os bombeiros generosos com as mangueiras tentavam atenuar o calor mandando água para as pessoas mas não era possível chegar a todos, o calor era tanto que infelizmente algumas pessoas sofreram desidratação e insolação. Eram dadas garrafas de águas que chegavam em camiões. Eram milhões de pessoas e não chegavam a todas as pessoas. O céu estava limpo e o sol cada vez mais intenso. Começou o terço e mais tarde chegou o papa num ambiente de festa e de euforia e deu início à celebração. Esta vigília teve momentos de oração, de reflexão, de animação (fogo de artificio) mas também uma grande tempestade (que fez com que as capelas que tinham o santíssimo desabassem). Não desanimámos e permanecemos firmes juntamente com o Santo Padre perante a tormenta para a qual ninguém estava preparado. À posteriori apareceu um calor imenso que secou tudo, os sacos de cama, esteiras, mochilas, roupa etc…. A alvorada chegou e passado alguns minutos o Santo Padre juntou-se a nós passando com o papa móvel por algumas estradas do recinto e deu-se inicio à Eucaristia que novamente foi uma celebração gloriosa. Passado este dia cansativo mas que valeu muito o esforço, fomos para o Hotel. No dia seguinte foi o dia de ver Madrid e os arredores. À tarde fomos a uma celebração do caminho neocatecumenal com cerca de 250 mil jovens de muitos países. Esta celebração é intitulada “encontro vocacional” onde um dos momentos foi a chamada ao palco de todos os jovens que sentiam o chamamento à vida consagrada. Para o meu e talvez seu espanto foram cerca de 5000 os que se levantaram. E um destes era eu. A sensação de receber a bênção de todos os bispos que lá estavam foi muito confortante e senti uma paz enorme. Depois daquela tarde calorosa regressamos ao hotel para descansar. No dia seguinte foi o dia de regressar a Portugal. Esta peregrinação foi muito glorificante, gratificante. Ensinou-me muita coisa, fez com que discernisse a minha vocação e também deixou muitas saudades por todos os amigos que fiz.Adorei e é para repetir, sem dúvida, daqui a dois anos no Rio de Janeiro, Brasil e se Deus quiser irei novamente nesta onda de alegria, coragem, divertimento, reflexão, intimidade com Deus, de oração e tantas outras graças que recebemos ao longo do encontro com o Santo Padre. Esta não foi só uma viagem mas uma aventura com Deus. Reflecte sobre Deus, sobre todas as coisas maravilhosas que vão surgindo na tua vida. Foi isso que eu fiz juntamente com estes 2 milhões de peregrinos, mostrando ao mundo como é excelente viver com Deus. Sê diferente. Seminarista Diogo Galveia